Durkheim e as formas elementares da vida religiosa

Resumo


DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa. Petrópolis: vozes, 1996.

Para Durkheim a experiência religiosa, apesar de específica, não é ilusória, podendo ser estudada racionalmente, logo transformada em objeto de estudo científico se entendida como uma ação social. Assim, existe na religião um fundamento objetivo, universal e eterno que para o autor é a sociedade. Compreende Durkheim que o homem é feito pelo conjunto de bens intelectuais que constitui a civilização, aí incluído a religião, e a civilização é obra da sociedade. Entretanto, essa mesma sociedade só pode se fazer sentir pelo indivíduo se ela for ato, ou seja, materializar suas convicções e valores através da ação conjunta e cooperativa dos sujeitos. Esta é a função das práticas religiosas. “portanto é a ação que domina a vida religiosa pelo simples fato de que ela tem por fonte a sociedade” (p495), e, neste sentido, “a idéia de sociedade é a alma da religião” (496). Uma vez que as religiões expressam um ideal de sociedade, uma quimera. A religião se volta para a realidade numa visão de dever-ser e devir.
De onde vem essa idealização que chega a sociedade através da religião? Segundo Durkheim da própria sociedade, de seus sentimentos e idéias coletivas que são reafirmadas pelos atos religiosos. Assim, a religião é um sistema com duas faces: uma prática e outra cosmológica. Enquanto prática a religião se materializa em ritos, cultos, hábitos corporais etc. enquanto cosmologia é um esforço de traduzir a realidade numa linguagem inteligível. Esse segundo papel – o cosmológico – é o que justificaria, segundo o autor, a crise religiosa nas sociedades onde a ciência se impôs, porque esta termina por melhor cumprir essa função explicativa. Neste momento, a própria ciência pode tomar a religião como problema, não para negar-lhe o direito de ser, mas para contestar seu direito de dogmatizar sobre a natureza das coisas.
Mas se a religião expressa uma cosmologia que permite inclusive o nascimento de uma explicação mais rigorosa que é a ciência o que intriga Durkheim é como a vida social é uma fonte tão importante da vida lógica. Como a matéria do pensamento lógico são os conceitos, a pergunta que se impõe é: como a sociedade participa da formação dos conceitos?
Para Durkheim a sociedade expressa a forma mais elevada da vida psíquica, sendo uma consciência das consciências. Os parâmetros lógicos que usa os toma de si mesmo a partir da própria forma de entender humana (tal qual queria Kant). Essa forma se ampliaria quanto mais se estendesse essa lógica dentro da sociedade, pois esta vai sendo modificada progressivamente, ou seja, a realidade expressaria nossas necessidades lógicas e as formas mais lógicas tenderiam a se perpetuar pela aceitação de sua veracidade pelo grupo social.
Assim, no pensamento Durkheimiano existe um relacionamento harmônico entre os sistemas lógicos e os sociais, sendo estes últimos produtos racionais. Por toda a argumentação exposta, o autor conclui que acima do indivíduo existe a sociedade como um sistema de força operante, de onde emana inclusive a religião, e que esse sistema é lógico, pois expressa a lógica humana materializada no mundo.
Palavras-chave: religião; ato social; formação de conceitos.

Um comentário:

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